Como a tecnologia pode mudar o panorama de exclusão das mulheres negras no Brasil?

É só uma questão de atitude!



Antes de tudo é importante esclarecer que é lindo pensar que somos todos iguais independente de nossas diferenças, mas nós NÃO somos iguais! Não somos, principalmente pelo abismo de oportunidades que estão ao acesso de diferentes grupos sociais e os impactos disso no distanciamento entre essas bolhas.


Essa distância reforça essa "igualdade" utópica que faz com que as populações marginalizadas, principalmente as mulheres negras, se tornarem cada vez mais invisíveis.

As mulheres negras representam o grupo com os piores indicadores sociais no Brasil. Apesar dos [poucos] avanços nos últimos anos, elas ainda se apresentam como as mais vulneráveis em termos de desenvolvimento acadêmico [posso escrever mais um artigo inteiro só para explicar o porquê disso], e consequentemente isso se reflete no mercado de trabalho com os menores salários e os maiores índices de desemprego. Fato preocupante, pois são essas mulheres que possuem a maior responsabilidade no sustento familiar no Brasil, ou seja, enquanto as mulheres negras não passarem por uma promoção social NÃO haverá redução das desigualdades e desenvolvimento socioeconômico no Brasil. Isso significa que estamos na base da pirâmide social. Sacou?


Não sei se você já percebeu isso, mas a maioria das empregadas domésticas são mulheres negras ( 57,6% ), elas têm a menor presença em posições com mais seguridade social e são as que mais sofrem durante as crises econômicas. Agora para e pensa comigo...O Brasil é composto por 54% de negros, e mais da metade dessa população são mulheres. Se mais da metade das mulheres negras no Brasil estão ocupando cargos de subempregos, onde você acha que estão as mulheres negras? Está acompanhando o raciocínio?


Agora vamos lá...Você consegue perceber como a tecnologia muda tudo isso?



Estamos passando pela quarta revolução industrial. O mundo está mudando, a educação está mudando [ou pelo menos deveria], e os profissionais da minha geração vão precisar desenvolver habilidades e competências diferentes das do mercado atual. Isso não deve ser novidade para você, nem para nenhum amigo meu que seja de uma classe social mais favorecida. Entretanto, você pode ter certeza que milhares de meninas negras (futuras mulheres negras) não fazem a MENOR ideia do que seja esse raio de Indústria 4.0.


Só um adendo: A quarta revolução industrial está aumentando a desigualdade social.


Vamos para mais um raciocínio: Meninas negras, em sua maioria vivem em periferia, ou seja não possuem aceso à informações, o que quer dizer que são de escolas públicas, o que significa que não têm educação de qualidade [isso quando não param de frequentar a escola devido à gravidez precoce ou para trabalhar para compor renda]. Com isso, elas não estão sendo preparadas para esse novo cenário do futuro onde a tecnologia está imbuída em todos os parâmetros sociais. Então, concluímos que a probabilidade dessas meninas ocuparem subempregos daqui alguns anos e darem continuidade a esse cenário negativo atual, onde apenas 0.4% dos cargos de liderança são ocupados por nós, é muito alta. Concorda?


A chave de mudança para esse panorama de exclusão está em educá-las e prepará-las integralmente para o mercado do futuro com base na tecnologia, a fim de gerar um ciclo virtuoso, dando bases sólidas para que sejam protagonistas de suas vidas e não meramente resultados dessa sociedade excludente, principalmente porque terão condições de promover um desenvolvimento socioeconômico que afeta, inclusive, a você.

E o que você pode fazer para contribuir nisso? Ensine, compartilhe seus conhecimentos e empodere meninas negras a trilharem uma jornada de transformação com base na tecnologia! É só uma questão de atitude. Topa?

Isabelle Christina

Escrito em 29 de Setembro de 2019

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